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junho

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COLAR DE ÂMBAR: O QUE É?

Enquanto as mães dizem que o colar de âmbar ajudou os filhos, especialistas afirmam não haver comprovação científica de sua eficácia e ainda alertam para os riscos de asfixia e estrangulamento. Entenda melhor o assunto.
O QUE É

O âmbar é uma resina vegetal que se tornou fóssil há aproximadamente 50 milhões de anos e é encontrada principalmente na região dos Bálticos – inclusive as propriedades do colar só valem se as pedras forem dessa área. Fique atento, pois existem imitações de copal ou plástico (veja como checar a procedência na página seguinte). Nele se encontra o ácido succínico – estudos afirmam que esse composto químico fortalece o sistema imunológico, estimula o sistema nervoso e melhora a atividade metabólica. Por isso, o âmbar atuaria como analgésico e anti-inflamatório natural.

COMO AGE

Segundo os vendedores e as mães que usam (e que pesquisaram a respeito), em contato com a pele do bebê, as pedras do colar se aquecem e liberam quantidades minúsculas do ácido succínico no corpo. De acordo com a experiência delas, o acessório auxilia especialmente durante a fase de dentição, por aliviar dores e desconfortos como inchaço da gengiva e febre.

É SEGURO?

A Associação Brasileira de Odontopediatria tem como posicionamento oficial a não recomendação do colar de âmbar durante a fase de dentição. “Não indicamos por causa do risco de asfixia. Se a criança usa, os pais têm que vigiar o tempo todo, o que não é possível na prática”, defende Paulo Cesar Rédua, presidente da associação. A ONG Criança Segura também é contra. “Não se recomenda nenhum tipo de colar ou cordão em bebês. Entendo o objetivo, mas é melhor buscar outras alternativas. Durante toda a fase de brincadeira da criança, não é legal ter cordão em nada, nem na roupa”, orienta Alessandra Françoia, coordenadora da ONG. Uma alternativa é usar as pedras de âmbar em pulseiras ou tornozeleiras, o que elimina o risco de estrangulamento. Mas, ainda assim, há controvérsias devido às chances de a criança levar o objeto à boca.

 

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O colar é usado para aliviar desconforto na fase da dentição, embora não haja comprovação científica dos befícios (Foto: Shutterstock)

 Teste de autenticidade

1 Coloque uma ou duas gotas de acetona ou álcool em uma das contas do colar. Se ficar viscosa, pegajosa ou alterar a cor, não é âmbar.

2 Misture uma parte de sal com duas de água e dissolva. Coloque uma peça de âmbar: se boiar, é autêntica.

3 O âmbar é morno ao toque, bem diferente das imitações de vidro, que são sempre mais frias que a sua pele.

CIÊNCIA X CRENÇA POPULAR

Especialistas são taxativos ao afirmar que não existem estudos científicos que comprovem a eficácia do uso do colar de âmbar para aliviar dores nos bebês. “Não há nenhuma pesquisa que mostre que ele funcione, o que existem são experiências pessoais. É um método natural sem comprovação científica”, explica Moisés Chencinski, pediatra homeopata e membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Os pais que usam o colar em seus filhos sabem que não há comprovação por parte da ciência – mas garantem que ele funciona! Nitiananda Fuganti, educadora perinatal e responsável pela Casa Mãe, em Curitiba (PR), é fã do colar. Seus dois filhos, Beatriz, 3 anos, e Rudá, 1, usam continuamente desde os primeiros meses de vida. “Os sintomas físicos da fase de dentição, como coceira, inchaço e erupções cutâneas diminuíram, assim como a irritabilidade em diversas ocasiões”, opina.

Vai usar? Preste atenção às medidas de segurança

O fio deve ter um nó entre cada conta. Assim, em caso de ruptura, apenas uma cai.

Em qualquer idade, o colar deve ter entre 33 e 36 cm, para não ficar apertado nem frouxo.

Recomenda-se tirar no banho para evitar o desgaste do cordão.

O fecho deve ser de rosquear e coberto por âmbar, para o bebê não conseguir abrir.

Fique atento para o uso durante a noite. A recomendação é tirar o colar para dormir.

Acompanhe de perto o uso do colar. Preste atenção à reação do bebê quando o objeto é colocado: se ele se incomoda, tenta puxar ou nem nota. Usando desde cedo, as chances de ele se acostumar são maiores. Cabe aos pais decidir sobre o uso à noite, tendo em vista os perigos. Uma alternativa para utilizar durante o sono é colocar o colar no tornozelo, dando duas voltas.

 

Fonte: Revista Crescer https://revistacrescer.globo.com/Bebes/Saude/noticia/2014/09/o-que-e-esse-tal-colar-de-ambar.html.

Revisão: Dra Ana Paula Menoli – Odontopediatra da Vitalità Odontologia

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